CURIOSIDADES

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Os dias que nunca existiram
José Roberto de Vasconcelos Costa
d'A Tribuna Digital - Santos

Enviado por Osanna Esther C. de M. Barbosa

O tempo é precioso. Alguém já disse que ele - o tempo -, e não o dinheiro ou os bens materiais, é a principal ’matéria-prima’ do século 21.

Não é um exagero. Bens podem ser recuperados. O tempo perdido simplesmente passa. Jamais recuperamos, de fato, o tempo que se foi.

Os que acham que seu tempo é curto (para alguém será suficiente?) devem desejar um dia com mais de 24 horas, ainda que seja o dia marciano, com 24 horas e 37 minutos de duração. O dia em qualquer planeta corresponde ao tempo que ele gasta para completar uma volta em torno de si mesmo (rotação).

Dia solar

A Terra gira sobre si mesma em 23 horas e 56 minutos. Ao fim desse tempo ela torna a fazer face a uma mesma estrela distante.

Mas para fazer face ao Sol, que está muito mais perto, nosso planeta precisa girar por mais quatro minutos - e esse novo período, de 24 horas, é o chamado dia solar.

A duração do ano, por outro lado, tem a ver com o tempo que um planeta leva para orbitar o Sol (translação) e depende de sua proximidade com o astro-rei. Quanto menor a extensão da órbita (e mais próximo do Sol estiver o planeta) mais rapidamente ele se move.

É por isso que o ano em Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, demora apenas 88 dias terrestres, enquanto o ano de Plutão (ilustração), o mais afastado, não leva menos que o equivalente a 248 anos na Terra.

Dia e ano, contudo, não estão interligados. Isto é, um planeta com um ano curto não tem necessariamente um dia curto. Afinal rotação e translação são movimentos distintos.

Sabe-se hoje que o ano da Terra (ano solar) tem 365,242199 dias. Podemos representar esse mesmo número na forma de frações como segue.

Dessa maneira fica fácil entender que ao fim de quatro anos a primeira fração (+1/4) de dia excedente soma um novo dia de 24 horas, que por convenção deve ser ’acrescentado’ ao mês de fevereiro, tendo-se então um chamado ano bissexto*.

Detalhes importantes

Ficam faltando as frações seguintes. Ignorá-las pode criar uma enorme confusão para as gerações futuras, como aconteceu na Roma de Júlio César, quando a duração do ano era considerada de 365,25 dias, portanto ’maior’ que o verdadeiro ano solar.

Ao acrescentar sistematicamente um dia a cada quatro anos, durante séculos, o início da primavera acabou com 10 dias de defasagem em relação ao calendário em vigor naquela época. Foi quando o papa Gregório 13, sob orientação do astrônomo Lélio, impôs uma reforma ao calendário.

Como solução imediata - e para eliminar a defasagem entre o calendário e a natureza, dez dias do mês de outubro de 1582 seriam simplesmente excluídos. Assim, quem foi dormir naquela quinta-feira, 4 de outubro de 1582, acordou na sexta-feira 21 de outubro - sem ter perdido um dia sequer, pois eles jamais existiram.

Mais que isso. Para evitar que as frações restantes gerassem novos erros com o passar dos séculos, continuaria sendo acrescentado um dia a cada quatro anos, porém os anos que fossem múltiplos de 100 deixariam de ser bissextos (daí o -1/100 da representação em frações acima), exceto se também fossem múltiplos de 400 (+1/400).

Dessa forma retirava-se um dia a cada 100 anos e adicionava-se outro a cada 400 anos (anos centenários como 1500 e 1900 não foram bissextos, mas 2000 sim).

Repare que ainda resta uma fração a corrigir: -1/3300. É fácil, basta retirar um dia do calendário a cada 3.300 anos. Ufa! Oxalá o universo fosse ’habitado’ apenas por números inteiros, desaparecendo as subdivisões do dia e do ano terrestre. Mas a natureza simplesmente ignora as vontades humanas - e aí de nós se ignorarmos suas frações.

Do site Astronomia no Zênite - www.zenite.nu

· No calendário romano, o dia que representava o início de cada mês era chamado calendas. Na época, era costume inserir-se o dia extra após 24 de fevereiro, isto é, 6 dias antes das calendas de março. Como esse dia era contado duas vezes (bis) ele passou a ser conhecido como bis sexto ante calendas martii, ou simplesmente bissexto.