CURIOSIDADES
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O tempo é precioso.
Alguém já disse que ele - o tempo -, e não o dinheiro ou os bens materiais, é
a principal ’matéria-prima’ do século 21. Não é um exagero. Bens
podem ser recuperados. O tempo perdido simplesmente passa. Jamais
recuperamos, de fato, o tempo que se foi. Os que acham que seu
tempo é curto (para alguém será suficiente?) devem desejar um dia com mais de
24 horas, ainda que seja o dia marciano, com 24 horas e 37 minutos de
duração. O dia em qualquer planeta corresponde ao tempo que ele gasta para
completar uma volta em torno de si mesmo (rotação). Dia solar A Terra gira sobre si
mesma em 23 horas e 56 minutos. Ao fim desse tempo ela torna a fazer face a
uma mesma estrela distante. Mas para fazer face ao
Sol, que está muito mais perto, nosso planeta precisa girar por mais quatro
minutos - e esse novo período, de 24 horas, é o chamado dia solar. A duração do ano, por
outro lado, tem a ver com o tempo que um planeta leva para orbitar o Sol
(translação) e depende de sua proximidade com o astro-rei. Quanto menor a
extensão da órbita (e mais próximo do Sol estiver o planeta) mais rapidamente
ele se move. É por isso que o ano em
Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, demora apenas 88 dias terrestres,
enquanto o ano de Plutão (ilustração), o mais afastado, não leva menos que o
equivalente a 248 anos na Terra. Dia e ano, contudo, não
estão interligados. Isto é, um planeta com um ano curto não tem
necessariamente um dia curto. Afinal rotação e translação são movimentos
distintos. Sabe-se hoje que o ano
da Terra (ano solar) tem 365,242199 dias. Podemos representar esse mesmo
número na forma de frações como segue. Dessa maneira fica
fácil entender que ao fim de quatro anos a primeira fração (+1/4) de dia
excedente soma um novo dia de 24 horas, que por convenção deve ser
’acrescentado’ ao mês de fevereiro, tendo-se então um chamado ano bissexto*. Detalhes importantes
Ficam faltando as
frações seguintes. Ignorá-las pode criar uma enorme confusão para as gerações
futuras, como aconteceu na Roma de Júlio César, quando a duração do ano era
considerada de 365,25 dias, portanto ’maior’ que o verdadeiro ano solar. Ao acrescentar
sistematicamente um dia a cada quatro anos, durante séculos, o início da
primavera acabou com 10 dias de defasagem em relação ao calendário em vigor
naquela época. Foi quando o papa Gregório 13, sob orientação do astrônomo
Lélio, impôs uma reforma ao calendário. Como solução imediata -
e para eliminar a defasagem entre o calendário e a natureza, dez dias do mês
de outubro de 1582 seriam simplesmente excluídos. Assim, quem foi dormir
naquela quinta-feira, 4 de outubro de 1582, acordou na sexta-feira 21 de
outubro - sem ter perdido um dia sequer, pois eles jamais existiram. Mais que isso. Para
evitar que as frações restantes gerassem novos erros com o passar dos séculos,
continuaria sendo acrescentado um dia a cada quatro anos, porém os anos que
fossem múltiplos de 100 deixariam de ser bissextos (daí o -1/100 da
representação em frações acima), exceto se também fossem múltiplos de 400
(+1/400). Dessa forma retirava-se
um dia a cada 100 anos e adicionava-se outro a cada 400 anos (anos
centenários como 1500 e 1900 não foram bissextos, mas 2000 sim). Repare que ainda resta
uma fração a corrigir: -1/3300. É fácil, basta retirar um dia do calendário a
cada 3.300 anos. Ufa! Oxalá o universo fosse ’habitado’ apenas por números
inteiros, desaparecendo as subdivisões do dia e do ano terrestre. Mas a
natureza simplesmente ignora as vontades humanas - e aí de nós se ignorarmos
suas frações. Do site Astronomia no
Zênite - www.zenite.nu · No calendário romano,
o dia que representava o início de cada mês era chamado calendas. Na época,
era costume inserir-se o dia extra após 24 de fevereiro, isto é, 6 dias antes
das calendas de março. Como esse dia era contado duas vezes (bis) ele passou
a ser conhecido como bis sexto ante calendas martii, ou simplesmente
bissexto. |